“A verdadeira invenção começa onde a linguagem termina.”
Jean Dubuffet (1901-1985) foi uma figura incontornável da arte do século XX, conhecido pela sua abordagem radical e pela redefinição dos limites da criação artística. Pintor, escultor, gravador e teórico, Dubuffet rejeitou as convenções académicas, privilegiando uma estética crua, espontânea e livre de artifícios.
Após um breve período de formação na Académie Julian, em Paris, Dubuffet afastou-se do meio artístico tradicional, dedicando-se ao comércio de vinhos antes de regressar à arte com uma nova visão. A sua primeira exposição individual, em 1944, causou controvérsia ao desafiar as expectativas estéticas vigentes. Utilizando materiais não convencionais—areia, gesso, betume e vernizes industriais—explorou texturas e suportes pouco ortodoxos, conferindo às suas obras um caráter visceral e antiacadémico.
Foi o principal teórico e promotor da Art Brut, um conceito que cunhou para descrever criações espontâneas de autodidatas, marginais e pessoas fora do circuito artístico institucional. A sua investigação sobre a arte outsider teve um impacto profundo na arte moderna, desafiando as hierarquias culturais e valorizando a expressão pura e instintiva.
A partir da década de 1960, Dubuffet expandiu a sua prática para a escultura e para projetos arquitetónicos, criando obras monumentais que desconstroem a forma e a estrutura tradicional. Destacam-se séries como L’Hourloupe, onde a linha e a cor ganham um dinamismo quase gráfico, e os seus ambientes imersivos, como a Coulée verte, que transcendem os limites da pintura e do espaço expositivo.
O seu legado permanece vivo através da Fondation Dubuffet, em Paris, que preserva e divulga a sua obra. A sua produção continua a ser celebrada pela sua irreverência, inovação e capacidade de romper com os paradigmas estabelecidos, influenciando gerações de artistas que exploram a criação fora das normas convencionais.